Apartamento ‘garden’ é saída para valorizar primeiro andar

Barulho, falta de privacidade e problemas estruturais são alguns dos fatores que fazem com que o metro quadrado dos apartamentos do primeiro andar seja até 20% mais barato do que o de pisos superiores.

Para valorizar esses imóveis, construtoras têm aproveitado a cobertura de espaços do térreo, como do salão de festas ou de jogos, para ampliar o espaço residencial no primeiro andar.

Karime Xavier/Folhapress – A advogada Rita Leme na sala de seu apartamento na Vila Congonhas, em SP

Os chamados “apartamentos garden” são maiores do que as unidades padrão e têm áreas descobertas que podem ser personalizadas por cada morador –algo já comum em apartamentos térreos.

“Podemos deixar a laje impermeabilizada e sem utilização, mas percebemos que é possível torná-la atrativa”, afirma o gerente de gestão de empreendimentos da construtora Eztec, Tellio Totaro.

O apartamento com esse espaço que dá ares de casa atrai principalmente famílias com crianças e pets, que instalam ali churrasqueiras e decks de madeira, e permite a criação de projetos de paisagismo.

A Eztec, que pode modificar o ambiente a pedido do morador, chama esse espaço de “gourmet” quando há pergolado, mesas e ombrelone, e de “descanso” quando há jacuzzi.

A procura pelos apartamentos garden é alta, segundo Totaro, da Eztec. Nesse caso, a unidade mais barata do prédio não é mais a do primeiro andar, como de costume, mas sim a do segundo.

Nos empreendimentos da Gafisa, cada metro quadrado da área externa custa o equivalente a 25% do valor da metragem interna, o que pode tornar a unidade mais cara do que dos andares superiores.

Uma desvantagem desses apartamentos em andares baixos, com área garden ou não, é a pouca iluminação natural, muitas vezes prejudicada pela sombra das árvores ou dos prédios próximos. Por isso, vale integrar ambientes e investir em cozinha americana, diz o arquiteto Robert Robl.

Essa foi a solução usada pela designer de interiores Daiane Antinolfi para seu apartamento de primeiro andar na Casa Verde (zona norte de São Paulo). Ela gastou R$ 180 mil com a integração da sala ao espaço do bar montado em frente à área externa. “Aproveitamos o verde, que falta nos apartamentos em geral”, diz.

Se o morador tem o banheiro próximo da janela e estiver disposto a uma reforma mais radical, pode movê-lo, por exemplo, para o chamado core central do edifício, área que geralmente fica próxima do elevador e recebe menos luz. Assim, a luminosidade alcançará outros cômodos, como quartos e sala.

“O projeto deve analisar a quantidade de janelas existentes para privilegiar as áreas de maior permanência, como sala e quarto, com iluminação e ventilação”, diz Fernando Vidal, diretor do escritório de arquitetura Perkins+Will.

A advogada Rita Leme optou por móveis brancos para clarear seu apartamento na Vila Congonhas, zona sul de São Paulo. Na varanda, a persiana é uma tela solar, que bloqueia parcialmente a luz do sol e preserva a intimidade quando os moradores precisam.

Para compensar a falta de privacidade, a Vitacon investe em barreira vegetal e procura voltar esses terraços para o lado do prédio onde não há varandas, diz Alexandre Lafer, presidente da construtora.

Janelas acústicas, por sua vez, resolvem o problema de quem perde o sono por causa do barulho que vem da rua. Os modelos que fazem a vedação com borrachas são mais eficientes do que os que usam uma espécie de escova.

Os vidros laminados (que recebem uma película) e os duplos, separados por uma câmara de ar, fazem vedação acústica melhor que os comuns ou temperados.

Em média, a escolha da janela e do vidro adequados custa de 30% a 50% a mais do que as soluções convencionais, segundo Philipp Kilian, gerente da empresa de esquadrias Weiku do Brasil.

Nos casos em que a fachada do imóvel não pode ser alterada, há modelos que ficam só do lado interno do cômodo.

Se o empreendimento for de dry wall (gesso), é possível reforçá-lo internamente com lã de rocha, que funciona como isolante acústico –o metro quadrado pode ser instalado por R$ 100.

Assim como os moradores do último andar, os do primeiro devem ficar atentos ao surgimento de trincas e rachaduras. Nos primeiros cinco anos de um empreendimento, essas unidades são mais afetadas pela movimentação do prédio, até que se estabilize estruturalmente, segundo a arquiteta Paula Carvalho.

Por isso, interessados em imóveis nesses andares devem fazer uma vistoria nos tetos e paredes. “Muita gente se preocupa com vazamento, descarga ou se o ralo está escoando direito e esquece dessa questão”, diz Paula.

Os apartamentos do primeiro andar também são mais suscetível a entupimento da rede de esgoto, segundo a arquiteta Simone Schneider. Nesse caso, o morador fica refém da manutenção, que deve ser feita pelo condomínio.

Fonte: Sobretudo | Folha

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